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A seguir o pesquisador Salloma Salomão Jovino da Silva,85 nos conta mais sobre as imagens que se remetem a um instrumento que, ao menos no modo com que era então chamado no Rio de janeiro, se conecta com o de seu Gentil:

“Há duas personagens que
se repetem em gravuras
diferentes de Debret. Um
velho negro tocando um
arco sonoro de percussão e
um menino carregando algo
que se assemelha a um
instrumento denominado
reco-reco ou reque-reque
(…). Em uma das aquarelas,
um velho homem negro toca
seu monocórdio sendo rodeado por nove mulheres. (…) Estariam respondendo ao velho cantor? Este seria um indicativo de canto responsorial? Essa gravura de 1826 aparece como <<Le viel orpheeé africain.oricongo>>, tendo sido traduzida para <<O velho Orfeu africano.oricongo>>. Orfeu na mitologia grega é o inventor da lira de nove cordas (…) Ao

85 No seu artigo “Marimbas de Debret: presença musical africana na iconografia brasileira oitocentista”, capítulo VI do livro “Sonoridades luso-afro brasileiras”.

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ligar a atividade musical do velho africano a um dos mitos de origem do próprio instrumento de cordas no ocidente, somos estimulados a pensar que talvez, para o ilustrado artista francês, o <<Orfeu africano>>, cuja humanidade teria sido negada pela condição social, ao aproximar-se da arte musical com sua lira de uma corda só, teria sua anima, ou melhor, seu espírito resgatado. () Consideramos que contrastes entre registros diferentes podem ser reveladores de indícios preciosos sobre os descaminhos das culturas brasileiras. Orocongo de um Orfeu em Debret, urucungo e uma musa de Guiné para Luis Gama, artes distintas, mas na grafia de ambos, se não exatamente iguais se assemelham e não deixam dúvida de que tratam de música identificada a uma mesma origem.” (SILVA, S., 2018, p. 114).

Seu Gentil do Orocongo se inscreve, já no século XX, naturalmente nessa linha traçada pelo pesquisador.

E a presença da mbira, na segunda ilustração de Debret, também merece aqui uma menção:

A expressão do músico que toca a m’bira, uma postura de compenetração. Sustentando às mãos o lamelofone, nos braços apoia por duas alças uma meia cabaça que sabidamente serve como caixa de ressonância nas sanzas, dezas, quissanjes, malimbas, kalimbas e outros nomes que recebem na África (SILVA, S., 2018, p.116).

Apresentamos, para encerrar esse subcapítulo, os versos mencionados logo acima, tal qual Salloma os traz na abertura de seu artigo “Marimbas de Debret: presença musical africana na iconografia brasileira oitocentista”, capítulo VI do livro Sonoridades luso-afro brasileiras:

[…] Oh musa de Guiné, cor de azeviche Estátua de granito denegrido
Ante quem o leão se põe rendido, Despido do furor de atroz braveza;

Emprestame o cabaço d’urucungu Ennsina-me a brandir tua marimba Inspira-me ciência da candimba,
As vias me conduz de alta grandeza. Luis Gama

(SILVA, S., 2018, p.101, grifos nossos)

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Talvez assim se acabe alcançando os traços que existem, em sentido próximo, na poesia de Cruz e Souza – conhecido como o poeta do Desterro – o qual essa pesquisa (diante da multiplicidade de suas frentes) não teve como ler a ponto de selecionar possíveis conexões em sua obra, mas que tem sua importância aqui registrada.