Rainhas e Reis

Rainhas e Reis é a pesquisa de Chico Saraiva sobre a viola machete e os encontros que ela provoca: com mestres, comunidades e tradições, do Recôncavo Baiano à Ilha de Santa Catarina.

A viola machete, instrumento emblemático do samba de roda do Recôncavo Baiano, tem sido o centro da pesquisa de Chico Saraiva nos últimos anos. É a partir dela, e de quase três décadas junto ao grupo A Barca, dedicado às tradições orais brasileiras, que se abre um campo mais amplo de escuta e diálogo com outras expressões da cultura popular do país.

A busca começou antes do instrumento. Em 2005, numa viagem d’A Barca à Lagoa da Camisa, na Bahia, Chico conheceu o samba de roda da comunidade e o cavaquinho ponteado de Seu Zé Bigode. Não havia machete ali, mas os toques que ouviu ficaram nos dedos. O encontro com a viola machete viria catorze anos depois, e longe do Recôncavo: foi na Alemanha, em 2019, no doutorado-sanduíche entre Weimar e Berlim, junto ao departamento de Transcultural Music Studies e sob supervisão de Tiago de Oliveira Pinto, que Chico aprendeu a tocar o instrumento, pelos vídeos que o próprio Tiago gravou no Recôncavo nos anos 1980, com os toques de João de Deus, o João da Viola. Em Berlim, a machete encontrou os maracatus, como o grupo de João Afojubá. Passada a pandemia, a pesquisa enfim chegou à Bahia, ao convívio com os mestres que mantêm o instrumento vivo.

Essa pesquisa se desdobra em encontros com mestres, comunidades e manifestações tradicionais, muitos deles vividos com A Barca, do samba de roda ao Boi-Bumbá de Parintins. Nesse caminho, a viola machete encontra outras “rainhas” e “reis”: instrumentos, cantos, danças e saberes que dialogam entre si e revelam conexões profundas entre territórios distantes.

O percurso chega também a Santa Catarina, terra natal de Chico. A machete, que quase desapareceu e hoje renasce no Recôncavo, num processo de salvaguarda para o qual as pesquisas de Tiago de Oliveira Pinto foram decisivas, traz uma experiência que pode dialogar com outra revitalização em curso na Ilha: a do Cacumbi, o congado catarinense, com sua linhagem própria. 

No palco

Rainhas e Reis chega também ao palco. A cada apresentação, Chico Saraiva recebe mestres do samba de roda do Recôncavo, numa formação que muda: com Roberto Mendes, Dona Zélia do Prato e Mestre Aurino, por exemplo, numa versão para teatro, em que a delicadeza do violão de Roberto pede escuta. Para outras situações, como espaços abertos, ruas e praças, a formação pode ser adaptada conforme a necessidade. O que permanece é o encontro: a machete, o violão e o samba de roda, com quem o mantém vivo.

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Do samba de roda desde 2005, com a viola machete desde 2019 · mais de 15 mestres e grupos · Bahia, Santa Catarina, Amazonas, São Paulo e Berlim

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Rainhas e Reis está sendo apresentado à Lei Federal de Incentivo à Cultura pelo Espaço Pedra Saraiva de Cultura. Empresas e pessoas que queiram se associar a este trabalho de registro e valorização dos mestres do samba chula e da viola machete podem falar com a gente.

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Lagoa da Camisa (BA) com A Barca – 2005