Projeto

Projeto Suíte das Reentrâncias
Apresentação conceitual, plano de circulação e viabilidade técnica do espetáculo de música e dança.

1. CONCEITO ARTÍSTICO E SINOPSE

Suíte das Reentrâncias é um espetáculo inédito que investiga a formação cultural brasileira como resultado de encontros, deslocamentos e permanências rituais. Concebida por Chico Saraiva e Carolina Moya, a obra aproxima a música instrumental, a dança contemporânea, o flamenco e a poesia para refletir criticamente sobre as nossas matrizes identitárias.

A Tese de Doutorado em Movimento

A proposta cênica corporifica a própria tese de doutorado de Chico Saraiva (USP/Weimar), realizada sob coorientação do Prof. Dr. Tiago de Oliveira Pinto (titular da primeira cátedra UNESCO em musicologia). O cerne desta investigação é a transcriação das Suítes para Violoncelo de J. S. Bach para o universo do “violão-canção” e da viola machete — instrumento de forte herança ibérica, ressignificado e preservado pelas comunidades afro-brasileiras.

A obra realiza um manifesto antropofágico: em vez de uma adaptação passiva, ela engole e reconfigura as estruturas coloniais europeias a partir do pulso rítmico do terreiro e da performance corporal.

2. ROTAS DE CIRCULAÇÃO E METAS DE PÚBLICO

O projeto prevê uma circulação estratégica desenhada por critérios políticos e de reparação histórica, totalizando 30 apresentações nacionais a preços populares (R$ 10,00).
Numa segunda etapa, com outros recursos financeiros, haverá também apresentações em universidades no exterior.

Impacto Global Estimado: 18.025 Pessoas Impactadas

3. INTERCÂMBIO COM MESTRES DA TRADIÇÃO ORAL

Como pilar de diversidade e salvaguarda do patrimônio imaterial, o espetáculo integrará em cena legítimos representantes das tradições populares de alguns território visitados. Longe de uma participação ilustrativa, o projeto promove o encontro horizontal entre o rigor técnico escrito e a oralidade viva:

CONCEITO DA TURNÊ EUROPEIA

A circulação internacional de Suíte das Reentrâncias por Weimar, Berlim, Madri, Lisboa e Ilha da Madeira (05 apresentações) não constitui uma ação acessória ou de mera difusão, mas sim o fechamento de um ciclo científico-artístico e um pilar metodológico indissociável do projeto. A jornada cumpre um papel crítico de diplomacia cultural e reparação histórica, estruturado em três dimensões fundamentais:

1. Validação e Devolutiva Acadêmica (Alemanha)

O espetáculo corporifica a tese de doutorado de Chico Saraiva (USP), cujo desenvolvimento teórico e prático deu-se por meio de estágio de pesquisa em Transcultural Music Studies na Hochschule für Musik Franz Liszt Weimar. Apresentar a obra em Weimar e Berlim, sob a chancela e articulação institucional do Prof. Dr. Tiago de Oliveira Pinto — titular da primeira cátedra UNESCO em musicologia —, significa realizar uma devolutiva acadêmica direta ao território que acolheu o trabalho de campo da investigação. O trânsito internacional valida o ineditismo da pesquisa brasileira, que transpõe as complexas estruturas matemáticas das Suítes para Violoncelo de J. S. Bach para a oralidade viva do violão-canção e da viola machete, demonstrando a universalidade e o rigor da produção científica nacional na Europa.

2. Arqueologia Instrumental e a Travessia Ibérica (Espanha e Ilha da Madeira)

A parada em Madri (Espanha) e na Ilha da Madeira (Portugal) refaz, em fluxo reverso, a rota de migração e mutação organológica dos instrumentos de cordas dedilhadas coloniais. A viola machete, introduzida no Brasil a partir do arquipélago da Madeira, foi profundamente recriada, africanizada e ressignificada pelas comunidades afrodiaspóricas do Recôncavo Baiano, tornando-se símbolo de resistência cultural. Levar a viola machete de volta ao seu território de origem, tensionada pelas estruturas barrocas alemãs e pela expressividade do flamenco (esfera investigada na criação coreográfica de Carolina Moya a partir da obra do madrilenho Santiago de Múrcia), é um ato de arqueologia viva. A turnê expõe a genialidade da antropofagia brasileira, que engoliu as referências ibéricas coloniais para devolver ao Velho Mundo uma linguagem de vanguarda e de alta relevância patrimonial.

3. Revisão Crítica Pós-Colonial e Circularidade Atlântica (Lisboa)

Como antiga metrópole imperial que centralizou o trânsito atlântico de povos, partituras e instrumentos, Lisboa é o ponto de fricção ideal para o debate sobre a circularidade musical luso-brasileira. A apresentação na capital portuguesa justifica-se pela urgência de confrontar, através da performance artística contemporânea, as narrativas históricas hegemônicas. O espetáculo demonstra de forma prática como gêneros barrocos e coloniais (como o lundu e a modinha) se transformaram em solo brasileiro por meio do pulso negro e indígena e, agora, retornam à Europa reconfigurados, promovendo um diálogo horizontal e uma revisão crítica das heranças coloniais por meio do cruzamento entre música instrumental contemporânea, dança e tradição oral.

Carolina Moya, Dona Zélia do Prato e Chico Saraiva

Carolina Moya, Mestre Aurino da Viola e Dona Zélia do Prato

Carolina Moya, Chico Saraiva e Fred Goés/presidente do boi garantido (Parintins – Amazonas)

Divulgação oficina conjunta de dança e música, Carolina Moya e Chico Saraiva

Carolina Moya em Parintins, no Boi Garantido, com o tripa do bumba boi.

Carolina Moya e Chico Saraiva ensaiando

Chico Saraiva e Carolina Moya ensaiando

4. CRONOGRAMA E PLANO DE REALIZAÇÃO

O projeto possui viabilidade técnica absoluta e será executado entre 01/05/2027 e 30/04/2028:

  1. Fase 1: Pré-Produção e Criação (Maio a Julho/2027): Gravação da trilha sonora e ensaios cênicos na sede física e estúdio de alta performance da Pedra Saraiva de Cultura (Florianópolis).
  2. Fase 2: Execução e Circulação (Agosto/2027 a Fevereiro/2028): Turnê nacional, acompanhada do ciclo de palestras gratuitas (nas universidades com transmissão ao vivo pelo YouTube: USP, UDESC, UFPel, UFBA, UFRB, UFRGS e UEMG, e 01 palestra 100% online com o Prof. Tiago de Oliveira Pinto).
  3. Fase 3: Pós-Produção (Março a Abril/2028): Encerramento administrativo, clipping e auditoria de prestação de contas sob a chancela da PiÔ Produções.

5. FICHA TÉCNICA

Coordenação, Idealização, Concepção, Direção Musical, Transcriação, Violão, Viola Machete e Voz: Chico Saraiva
Coordenação, Concepção, Criação, Voz, Dança e Performance: Carolina Moya
Produção executiva: PiÔ Prdouções (Leonardo Baltazar)
Direção Artística: Alício Amaral e Juliana Pardo
Roteiro Dramatúrgico: Álvaro Faleiros e Chico Saraiva
Desenho de Luz, Cenografia e Atuação: Almir Rosa
Desenho de Som: Daniel Tápia
Preparação Vocal: Leonardo Vieira
Intérprete de Libras: Amanda Lioli
Assessoria de Imprensa: Sérgio Fogaça (Nota Musical Comunicação)
Plano de Comunicação: Lucas Pulice (Regional Marketing)
Web Designer e Programação: Bruno Berkenbrock
Designer Gráfico: Juão Vaz (Vaz.Art.Br)
Consultoria Acadêmica Internacional e Palestra on line: Prof. Dr. Tiago de Oliveira Pinto (Hochschule für Musik Franz Liszt – Weimar)
Gravações Adicionais Mbira: Luka Mukavelle (Moçambique)
Contabilidade: Frei Luca

Participações Especiais locais: